Cenografia: um espetáculo a parte

O artista se despede, os aplausos terminam e as luzes se acendem. Pode parecer que o show acabou, mas é nesta hora, quando as cortinas se fecham, que outros profissionais sobem no palco. Assim funciona o trabalho dos cenógrafos, que moldam, criam e inventam quando ninguém está olhando. A magia da cenografia já começa nos bastidores.

No Beto Carrero World dez pessoas, entre aderecistas, pintores e escultores, trabalham neste departamento. Seja com metal, isopor, silicone ou tecido, eles fabricam objetos e seres imaginários que nem existem no mundo real. A cenografia, junto com o trabalho de iluminação e sonorização, dão um toque final a muitas atrações e shows do Parque.

“Fazemos a manutenção contínua das peças, através de restaurações. Além disso, também criamos áreas e objetos novos, desde o projeto até a execução”, explica a coordenadora do Departamento de Cenografia, Adriana Salema.

Ainda de acordo com ela, semanalmente a equipe faz uma vistoria no Parque para verificar o estado dos objetos, principalmente os que ficam expostos à ação do tempo. As peças que acabam se danificando são recolhidas e restauradas, e depois voltam para o lugar original. Nas últimas semanas o grupo estava trabalhando na restauração de objetos que compõem o cenário do Extreme Show, como a revistaria e a padaria.

“Existem peças que temos que fazer uma manutenção constante. No Extreme Show, por exemplo, têm alguns legumes que caem de uma sacola durante a apresentação. Temos que refazê-los a cada quinze dias, mais ou menos. No total já fizemos mais de 200”, conta Salema.

Além de objetos que imitam a realidade, como queijos, tortas, frutas e flores, a cenografia também auxilia na produção dos figurinos que precisam dar um efeito especial em cima do palco. Muitas roupas do show Acqua, por exemplo, nasceram da criação dos cenografistas. Até mesmo o figurino da Monga, a Mulher Macaco, já precisou de uns retoques nos pelos.

“A estrela-do-mar, águas-vivas e seres marinhos, tudo isso passou por aqui. É um trabalho gigantesco, vai desde produzir uma florzinha até projetos enormes, como esta nova área do Madagascar, que está sendo criada”, completa ela.

Terror: o maior dos desafios

Mais difícil do que encantar o público, é assustar. Objetos e áreas de terror, se não são bem feitos, ficam com aspecto feio e não causam o efeito desejado. Este é, para Salema, o maior dos desafios. Dois grandes projetos foram feitos dentro do Parque neste estilo: O Portal da Escuridão, que foi reformulado e ganhou nova tematização, e a Ilha das Trevas, um evento noturno produzido em 2011.

Neste segundo evento ela lembra que teve de conciliar a produção de todo o cenário e mais 90 figurinos, em apenas um mês. “Eu adoro trabalhar com temas infantis, mas é no terror que você mais mostra o seu talento. Sempre digo que ninguém trabalha sozinho, por isso a tematização que nossa equipe fez, junto com o sistema de som e luzes, ficou surpreendente”.

Para os dois trabalhos houve uma pesquisa ampla do tema, afinal, quanto mais realidade, melhor. Salema conta que todos assistiram filmes de terror, pesquisaram o assunto na internet e em revistas do assunto. Depois, foram reunidos alguns objetos e personagens que mais mexem com o imaginário das pessoas, e serviram de base para a tematização.

O trabalho todo resultou em mais de 10 moldes de rostos para a produção de cadáveres e bonecos assustadores, cerca de 500 metros de fio de calafelto para confeccionar tripas, caixas enormes de ossos e mais de 100 caveiras de mentira.

“Realmente funcionou, hoje eu entro no Portal da Escuridão e fico com medo, mesmo sabendo que é tudo mentira”, conta ela rindo. Salema ainda salienta que a cenografia anda ao lado de outros departamentos, como marcenaria e obras. Sem o compromisso de todos, o ambiente de terror, infantil, ou qualquer outro, não teria o mesmo acabamento.

Recriar o que já existe

Não é preciso procurar muito para ver o trabalho da cenografia. Em todos os ambientes do Parque existem peças fabricadas, ou mantidas, por estes profissionais da arte. A Vila Esperança, que fica dentro do zoológico, foi um dos espaços recriados pelo grupo, e mostra como seria a vida em um vilarejo do interior.

Heveline de Fátima, que trabalha no departamento, conta que cada projeto é diferente e precisa de um estudo para ser composto. “Você tem que perceber o cenário, procurar itens que se adequem à época e ao contexto. Como aqui na Vila, por exemplo, não adianta acrescentar um objeto só porque achou bonito, e ele não ter nenhuma relação com o local”, explica.

Durante um passeio no Parque, ela relembra os trabalhos produzidos e brinca, dizendo que a cenografia é o “departamento mais lixeiro que tem” no Beto Carrero World. Isso porque boa parte dos materiais usados pela equipe já existia, e foi apenas reutilizado em outro local. Para ela, basta uma volta no depósito do Parque para recolher diferentes objetos e dar novo uso a eles.

“Temos um material muito rico aqui e tudo o que sobra é reutilizado, reciclado, ou aproveitado em novos projetos”, conta Heveline. Prova disso é o Fort Álamo, a área faz parte do Velho Oeste e foi projetada com materiais reutilizados, além de muitas doações feitas por um colecionador. “O cenário ajuda a contar a história para que fique o mais próximo do real, como aconteceu aqui”, conta ela em meio a mapas e livros antigos.

Informações Beto Carrero World:

(47) 3261-2222

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